Comportamento

A morte pelos olhos da mídia: como a indústria do espetáculo enumera artistas como objetos

postado em 26 de julho de 2011 por Jacqueline Alves
A morte pelos olhos da mídia: como a indústria do espetáculo enumera artistas como objetos

A mídia contabiliza, entra ano sai ano, a morte de artistas pelo viés do termo celebridade. Se o nome é sinônimo de escândalos, melhor ainda. Neste fim de semana, a cantora inglesa Amy Winehouse foi encontrada morta em sua casa, ao que a mídia diz, o excesso de drogas provocou a sua morte. Entretanto, Amy não é a primeira vítima do espetáculo que os meios de comunicação de massa costumam fazer. Ela, assim como Michael Jackson foi em 2009 entre muitos outros, é carne fresca de jornais, revistas e, completando o time, da internet. O respeito pelo luto da família não entra em pauta, o que importa é vender e reunir o maior número de leitores. Ou seja, Amy é mais um objeto da mídia, que fará parte da história daqui alguns meses e lembrada pelo meio apenas em seu aniversário de falecimento.

Os olhos da mídia conduzem grande parte da população a enxergar o mesmo que eles. Verdade ou não, a relevância está de acordo com o enxame que se forma em volta de um tema, principalmente se o assunto da semana estiver relacionado a algo globalizado, onde todos têm acesso. Se você substituiu a televisão pela internet como meio de informação, não se preocupe, milhares de sites vão fazer uma retrospectiva da carreira do mais recente falecido, mostrando fotos, infográficos e depoimentos de artistas e amigos. Lamentavelmente, existe um público fiel, que não satisfeito com apenas uma fonte de informação, vai colecionar publicações, onde opinião não é relevante, mas sim o espetáculo que, no caso de Amy Winehouse, são as drogas, o uso abusivo de bebidas alcoólicas e a tal reabilitação que a mesma fez. Tudo isso vende muito, os tablóides mais uma vez agradecem. Os paparazzis, por sua vez, vão em busca dos melhores flagras de amigos e familiares da cantora, clicando sem parar para obter o ângulo perfeito e trocar por alguns euros. Fotos essas que invadem a mídia digital, transformando a internet em um mosaico preto e branco.

Aos fãs, sobra apenas a tristeza pela perda de mais um talento, se é que podemos chamar de mais um, que por si só, é mais uma numeração. Cada indivíduo é único, incomparável, dessa forma, os apreciadores da voz soul de Amy guardarão o seu talento, sua obra e tudo aquilo que fazia dela o que era entre defeitos e qualidades que não temos o direito de julgar.

A mídia é intolerante, agressiva. Não existe compaixão para aqueles que se vão, apenas uma repulsiva vontade de criticar e, no fim, alimentar o vício de que o nome dela vale muito mais com a sua morte. Verdade seja dita, assim como Amy Winehouse, Michael Jackson, Renato Russo, Cássia Eller, entre outros nomes, venderam muito postumamente, e, é claro, a mídia se aproveita e brinda com o lucro e sucesso póstumos.

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Internet

Nyan Cat: o nonsense e a consagração dos gatos na web

postado em 22 de julho de 2011 por Cleiton de Oliveira
Nyan Cat: o nonsense e a consagração dos gatos na web

Uma das receitas de sucesso mais populares na internet é utilizar gatos, independente se o que você quer transmitir tem algum sentido. Seguindo essa lógica, não é de se espantar o sucesso que um gato com corpo de "pop tart" correndo no espaço enquanto deixa um rastro arco-íris pode fazer.

O Nyan Cat surgiu como uma animação feita por Chris Torres, que criou o desenho baseado em uma conversa que estava tendo em um chat de vídeo online. Tempos depois ele postou a imagem pixelada em seu blog, que logo foi misturada com a música "Nyanyanyanyanyanyanya!", feito com a "vocaloid" Hatsune Miku e subido no YouTube pelo usuário"saraj00n". (Vale explicar que vocaloid é um sintetizador que simula a voz humana, e Hatsune Miku foi uma personagem criada em cima dessa voz, que no Brasil já apareceu até mesmo no Fantástico da Rede Globo.) Com o surgimento do vídeo, tanto a arte quanto a música (nyan significa miau em japonês) viralizaram rapidamente pela internet e além dela.

O vídeo ganhou paródias pela Annoying Orange, em programas de televisão na França, virou decoração para bolos, cachecóis, brincos, colar, almofada, tatuagem, jogo, e teve remixes techno, metal, dubstep, jazz, rasta, versões "dorgas" com ácido, maconha, crack, versões estendidas de até 10 horas, e "homenagens" ao Capitão América, Pikachu e Super Mario. Mas as mais inusitadas são os Nyan Cats "regionais", no qual eles passeiam por cenários típicos do país customizados com itens nacionais. Essa homenagens já foram feitas em versões norte-americanas, holandesa, francesa, portuguesa, mexicana, brasileira, entre outras, em uma lição às avessas de relações exteriores. Isso sem contar o seu "site oficial" e sua aparição no vídeo de lançamento do app de iPhone Songify.

E assim, sem fazer sentido enquanto continua a correr e miar loucamente, o Nyan Cat se torna em um dos símbolos máximos de uma cultura de amor aos gatos (por mais que ele não seja um gato de verdade como o Keyboard Cat) e as coisas fofas,  enquanto é amado e odiado por muitos. Isso sem contar o nonsense absoluto.

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Comportamento

Web arqueologia

postado em 21 de julho de 2011 por Cleiton de Oliveira
Web arqueologia

"Como vivíamos sem a internet?" e "O que seria de nós sem o Google?" são as perguntas mais comuns hoje em dia. Esse espanto também surge a cada vez que utilizamos um serviço ou programa digital tido como essencial. Enquanto isso, mais da metade da humanidade não tem acesso à internet. Tudo bem, a internet é realmente uma coisa fascinante, e a sua facilidade de encontrar as coisas que procuramos é uma de suas funcionalidades mais notadas pelos seus usuários. Entretanto, o que acontece com o nosso espírito aventureiro?

Antigamente, caso você resolvesse procurar sobre determinado assunto ou produto, tinha que gastar um tempo em bibliotecas ou sair procurando pessoas, lojas e lugares com maiores informações, o que te levava a vivenciar novas coisas, além de lidar com portas na cara e outras dificuldades como distância, pistas erradas e horário. Mas, em compensação, o prazer no final da jornada era indescritível, e a dificuldade do processo dava mais ânimo. Agíamos como garimpadores ou arqueologistas, indo para terras nunca antes desbravadas em busca de nossas riquezas particulares e obscuras.

Atualmente o processo é bem mais simples: uma "googlada" e todo o caminho das pedras já está descrito. Com apenas um perfil, você mantém contato com todos os seus amigos e interesses. E por que não juntar tudo isso? Muitos usuários acham mais prático perguntar "onde posso encontrar..." e outras dúvidas aos seus contatos; dúvidas simples e que podem ser respondidas com um pouco mais de dedicação. E o Google ainda oferece um sistema de buscas cada vez mais social: ao procurar algo os primeiros resultados agora mostram os links que já foram compartilhados por seus contatos nas redes sociais ou avaliados como "+1". Com isso, visitamos agora os mesmos sites dos nossos relacionados, e numa analogia à música, estamos mais no repeat que no shuffle, sem contar que raramente um usuário passa das três primeiras páginas de resultados na busca tradicional.

Nesse sentido, a arqueologia digital está cada vez menos usual, a ponto de ver publicações perguntarem aos seus seguidores "qual pauta queriam ver", demonstrando falta de curiosidade, de espírito de procura-aventura e um desejo excessivo em apenas agradar o cliente, entregando para ele apenas aquilo que ele acha que quer ler. E, apesar do vintage estar na moda, as pessoas não se esforçam em sair escavando atrás do que gostam. Portanto, fica a dica: por mais que a internet facilite a nossa vida e o Google aparente ter a resposta para o universo e tudo mais, é bem melhor quando arregaçamos as mangas e agimos como arqueologistas dos nossos interesses, ao invés de esperarmos a resposta pronta vir de algo ou alguém.

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