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Comportamento

Videogames: nostalgia e o excesso de expectativa

postado em 21 de junho de 2011 por Jacqueline Alves
Videogames: nostalgia e o excesso de expectativa

Lembra quando as telas de Sonic the Hedgehog eram intransponíveis, e como era difícil salvar as princesas Zelda e Peach? A maior glória era terminar um jogo e sair contando aos amigos da escola as conquistas heroicas, os easter eggs encontrados e a porcentagem alcançada no final do game. Caso reconheça o seu passado no que acabo de escrever, certamente fez parte de uma época em que o acesso a jogos digitais era restrito a uma parcela da sociedade, onde a grande maioria tinha conhecimento apenas em plataformas físicas, como os consoles (Master System, NES, Mega Drive, SNES, Playstation etc), e desconhecia as infinitas possibilidades que a internet pode oferecer. Mas esse não é o ponto mais importante. As pessoas estão cada vez mais sujeitas a receber influência digital excessiva. Antes, os jogos se baseavam em imersões individuais, onde os seus avanços não podiam ser compartilhados na rede. Hoje, tudo o que você faz em um jogo online percorre o universo digital, seja através de imagem, som, texto, comunicação instantânea, ou tudo isso junto. Agora você pergunta: ok, e o que tem de errado nisso tudo? Simples: a expectativa. Repare. Toda produção gira em torno do conceito de compartilhamento, se isso não ocorre, o mercado julga o novo produto como desatualizado ou dispensável.

Quem acompanha as novidades das grandes produtoras de games sabe do que estou falando. Dentre elas, vale citar a Nintendo, Sony e Microsoft. Esta última entrou no mercado com grande força quando trouxe a experiência digital para o console XBox 360. O Playstation 3, da Sony, oferece a rede denominada PSN, ambiente interativo para jogar e conversar. A Nintendo também não ficaria de fora, e oferece uma gama de jogos onlines aos players. Recentemente, a BigN divulgou o lançamento do Wii U na E3, feira de games que acontece anualmente em Los Angeles, EUA, prometendo uma rede online com voice chat e integração com as redes sociais. Qualquer lançamento - seja ele do mundo dos games, tecnológico, mobile ou computacional -, tem o compartilhamento e a interação como necessidade inovadora, ou seja, nada será criado se não fortalecer ou inovar as duas abas da geração digital.

Não defendo o individualismo, muito pelo contrário, acredito que jogos multiplayer acrescentam muito, principalmente às crianças, pois a interação com outras pessoas é exercitada, o trabalho em equipe torna-se essencial, e o conhecimento acaba sendo compartilhado. Ok, mas vamos às quatro primeiras linhas deste texto. Quando me refiro às princesas Zelda e Peach, ao Mario e ao Sonic dos consoles antigos, e às conquistas e porcentagens inalcançáveis, resgato a magia, a diversão pura do jogar, do compartilhar face a face, do boca a boca de informações, sem avatar, sem PSP ou DS/3DS. Recordes anotados à mão, passwords imensos na última folha do caderno e memory card com pouco espaço.

Nada disso faz parte da realidade de quem vive na era digital. O lápis e a caneta foram substituídos pelo teclado, o caderno, coitado, tornou-se um reles bloco de notas azul. O encanto dos jogos antigos ficou no passado, assim como a sua contentação em jogar por horas com o seu próprio rosto, sem o avatar do Homem de Ferro.

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